A partir de agora, a venda de medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”, como Ozempic, Mounjaro e Wegovy, estará mais controlada no Brasil. A decisão já está valendo desde o dia 23 de Junho de 2025, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) decidiu implementar novas diretrizes para a comercialização desses medicamentos, visando aprimorar o controle sobre seu uso.
A medida, que foi anunciada em abril e entrou em vigor após 60 dias, exige que farmácias e drogarias retenham as receitas médicas desses medicamentos, de maneira similar ao que ocorre com antibióticos. A mudança traz impactos importantes tanto para quem depende desses tratamentos quanto para os estabelecimentos que os vendem.
O controle mais rigoroso: O que mudou?
A Anvisa decidiu aumentar a fiscalização sobre a venda de medicamentos agonistas GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras, após preocupações com o uso inadequado dessas substâncias. A partir da implementação das novas regras, farmácias e drogarias devem reter a receita médica original e registrar todas as transações no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC).
A mudança também está alinhada com recomendações de entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a Sociedade Brasileira de Diabetes. Elas alertam para os riscos do uso indiscriminado desses medicamentos, que podem afetar a saúde dos pacientes e dificultar o acesso de quem realmente necessita do tratamento.
O que isso significa para pacientes e médicos?
Com a nova regra, os pacientes precisarão apresentar duas vias da receita médica ao comprar canetas emagrecedoras. Uma das vias ficará retida pela farmácia, o que torna a venda desses medicamentos mais controlada. Isso pode ajudar a evitar o uso indevido ou automedicação. Porém, os pacientes devem estar atentos ao prazo de validade da receita, que é de até 90 dias. Se o medicamento não for adquirido dentro desse período, uma nova receita será necessária.
Para os médicos, essa mudança reforça a necessidade de fornecer orientações claras aos pacientes sobre o uso dessas substâncias. Embora o uso também chamado de “off label” – ou seja, para finalidades não previstas na bula do medicamento – continue sendo permitido, os médicos devem explicar os riscos e benefícios dessa prática para garantir que o paciente tome decisões informadas sobre o tratamento.
Medicamentos manipulados: Um alerta importante
Outro ponto que merece atenção é o uso de medicamentos manipulados, como versões alternativas de semaglutida e tirzepatida. Embora esses medicamentos possam ser oferecidos em farmácias de manipulação, eles não passam pelos mesmos testes rigorosos de qualidade que os medicamentos aprovados pela Anvisa. Isso representa um risco para os pacientes, já que não há garantias sobre a eficácia, a pureza ou a estabilidade desses produtos.
As entidades médicas recomendam que os profissionais de saúde evitem prescrever esses medicamentos manipulados e que os pacientes busquem produtos aprovados pelas autoridades sanitárias. A utilização de versões alternativas desses medicamentos pode expor os pacientes a riscos desnecessários, pois esses produtos não têm a mesma confiabilidade dos medicamentos industrializados.
O que esperar com a nova regra?
As mudanças nas regras para a venda de canetas emagrecedoras trazem importantes desafios tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde. A necessidade de reter as receitas médicas e controlar mais rigorosamente a venda desses medicamentos pode aumentar a segurança, mas também pode tornar o processo de compra mais burocrático. Isso levanta a questão: será que essas medidas são suficientes para garantir que os medicamentos cheguem de forma segura e eficaz às pessoas que realmente precisam deles?
Além disso, é importante que os pacientes se sintam confortáveis e bem informados sobre o uso desses medicamentos. A mudança de regras pode causar certa preocupação, mas é importante que todos compreendam o objetivo da medida: garantir a segurança do tratamento e evitar o uso irresponsável desses medicamentos. Pois a obesidade e o diabetes são problemas de saúde sérios, e a maneira mais segura de tratá-los é sempre com orientação médica adequada.
Imagem: Freepik
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