Os analgésicos são frequentemente considerados aliados no dia a dia, sendo utilizados para aliviar dores como cefaleias, dores nas costas, musculares, articulares, cólicas menstruais e febre. No entanto, é importante destacar que, embora proporcionem alívio, esses medicamentos não tratam a causa do incômodo. Eles apenas ajudam a atenuar um sinal de alerta do corpo, sem resolver o problema subjacente.
Esses medicamentos costumam ser indicados para dores agudas, como uma dor de cabeça esporádica, cólicas ou em situações pós-operatórias. Os mais comuns, como o paracetamol e a dipirona, funcionam bem em casos leves a moderados. No entanto, o uso frequente e sem orientação médica pode trazer riscos à saúde.
Riscos do uso contínuo de analgésicos
O principal perigo do uso indiscriminado de medicamentos para dor é mascarar uma condição de saúde mais séria que precisa de investigação e tratamento adequado. Quando a dor se torna rotina e o remédio também, o problema subjacente pode evoluir sem ser diagnosticado. O corpo pode estar sinalizando algo que vai além de um simples mal-estar.
Além disso, o organismo pode desenvolver tolerância. Isso significa que, com o tempo, a dose que antes era eficaz deixa de fazer efeito, levando a pessoa a precisar de quantidades maiores para obter o mesmo alívio. Esse ciclo aumenta exponencialmente os riscos de efeitos adversos e danos a órgãos como fígado e rins.

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Especialistas explicam os perigos da automedicação
A automedicação com fármacos para dor é uma prática perigosa. Especialistas alertam que o uso contínuo, especialmente sem entender a causa da dor, pode levar a danos permanentes. O fígado e os rins são particularmente vulneráveis, pois são responsáveis por metabolizar e excretar as substâncias químicas presentes nos remédios. Em pessoas com predisposição a problemas renais ou hepáticos, o risco é ainda maior.
“Esse comportamento é um dos principais desencadeantes da dor crônica, pois a causa da dor é no início ignorada e/ou contornada com o uso dessas drogas. Mas, após tomar um remédio específico por um tempo, seu efeito deixa naturalmente de ser percebido e a pessoa tende a ingerir uma dose superior. Isso a deixa sob o risco de lesões estomacais, sangramentos, danos hepáticos e renais”, diz Paulo Renato Fonseca, diretor científico da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (Sbed), de acordo com o CRF-PR.
Ingerir esses medicamentos diariamente sem supervisão médica é uma atitude de alto risco. A dor é um sintoma, e tratá-la sem investigar sua origem é como desligar um alarme de incêndio sem apagar o fogo. A condição que causa a dor pode piorar, tornando o tratamento futuro mais complexo.
Veja o que diz o Dr. Paulo Faro, especialista em Neurologia em seu canal do YouTube:
Possíveis efeitos colaterais
Com o tempo, o uso crônico desses medicamentos pode desencadear uma série de efeitos colaterais graves. Entre os mais preocupantes estão:
- Lesão hepática: O uso excessivo, principalmente de paracetamol, é uma das principais causas de danos ao fígado.
- Insuficiência renal: Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), outro tipo comum de analgésico, podem comprometer a função dos rins a longo prazo.
- Sangramento gástrico: Muitos analgésicos podem irritar a mucosa do estômago, causando úlceras e sangramentos.
- Cefaleia por uso excessivo de medicação: Um fenômeno paradoxal onde o próprio remédio para dor de cabeça passa a ser a causa da dor, tornando-a crônica e mais resistente ao tratamento.
Cuidados e quando procurar um médico
Ao sentir dores frequentes, o primeiro passo é sempre procurar a orientação de um profissional de saúde. Não ignore os sinais do seu corpo. Dependendo do tipo de dor, diferentes especialistas podem ajudar:
- Dores musculares e articulares: Um ortopedista ou reumatologista são os mais indicados.
- Dores de cabeça recorrentes: Um neurologista pode investigar as causas e indicar o tratamento correto.
- Dor crônica ou sem causa aparente: Um clínico geral ou um médico especialista em dor podem conduzir uma investigação aprofundada.
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Perguntas frequentes
Com que frequência é considerado “uso excessivo” de analgésicos?
Não há um número exato, mas o uso por mais de dois ou três dias na semana, por várias semanas seguidas, já é um sinal de alerta que merece uma avaliação médica.
Analgésicos naturais são uma alternativa mais segura?
Embora algumas opções naturais possam ajudar, elas também podem ter efeitos colaterais e interagir com outros medicamentos. A orientação profissional continua sendo fundamental.
Crianças e idosos correm mais riscos com o uso contínuo?
Sim. Seus organismos metabolizam medicamentos de forma diferente, tornando-os mais suscetíveis a efeitos colaterais e intoxicações, mesmo em doses menores.
É possível sentir efeitos de abstinência ao parar de usar?
Para analgésicos comuns, não há abstinência física. No entanto, no caso da cefaleia por uso excessivo, a dor de cabeça pode piorar temporariamente após a suspensão do medicamento.











