Aquela pizza congelada do freezer ou o iogurte de frutas colorido parecem práticos, mas estudos mostram que esses alimentos fazem mais do que matar a fome. Pesquisas indicam que dietas ricas em ultraprocessados aumentam em 44% o risco de depressão e 48% o de ansiedade. Para cada aumento de 10% no consumo desses produtos, o risco de demência sobe 25%. Mas você sabe o que realmente está colocando no seu prato? Veja!
Nem todo processamento é vilão
Existe uma diferença entre processar alimentos de forma simples e criar produtos ultraprocessados. Cortar uma maçã, cozinhar um tomate ou congelar vegetais são formas básicas de processamento. O tomate cozido libera mais licopeno, um antioxidante benéfico. O problema começa quando falamos de ultraprocessados.
A nutricionista Sarah Hutchinson registrada na Henry Ford Health explica: “A granola com nozes, mel e óleo é levemente processada. Já uma barra de proteína com proteína triturada e 20 a 30 outros ingredientes é ultraprocessada”. A diferença está nos ingredientes que você nunca encontraria em casa: emulsificantes, estabilizantes, realçadores de sabor e códigos estranhos.
Como identificar os ultraprocessados
Se a lista de ingredientes tem nomes difíceis e números estranhos, você está segurando um alimento ultraprocessado. Uma barra de cereal pode ter 48 ingredientes, enquanto uma maçã tem apenas um: maçã.
Fique atento a termos como maltodextrina, xarope de milho, proteína hidrolisada e corantes com códigos. Se você não compraria esses ingredientes no mercado para cozinhar, por que consumir produtos cheios deles?
O cérebro também está na mesa
Consumir apenas 20% das calorias diárias em ultraprocessados já está associado a um declínio cognitivo 28% mais rápido. Um estudo brasileiro acompanhou mais de 10 mil pessoas e revelou esse dado. O impacto vai direto ao cérebro, afetando humor, memória e funções cognitivas.
Os aditivos nesses alimentos, como adoçantes artificiais e glutamato monossódico, interferem na produção de neurotransmissores como dopamina, norepinefrina e serotonina. Resultado? Seu bem-estar mental e emocional fica comprometido.
A armadilha do prazer instantâneo
Ashley Gearhardt, professora de psicologia da Universidade de Michigan, afirma: “Os alimentos ultraprocessados têm mais em comum com um cigarro do que com os alimentos da natureza”. Esses produtos são desenvolvidos para criar dependência.
Por que é difícil resistir? Na natureza, você não encontra alimentos ricos em açúcar e gordura ao mesmo tempo. Essa combinação artificial ativa os centros de recompensa do cérebro intensamente, criando um ciclo de desejo e consumo. Adicione sal, aromatizantes e cores vibrantes, e seu cérebro perde o controle.
Imagem: Freepik
Os números da dependência
Pesquisas mostram que 14% a 20% dos adultos e 12% a 15% das crianças apresentam sinais de vício alimentar. As taxas são parecidas com as da dependência de álcool e cigarro. As empresas alimentícias investem bilhões criando fórmulas que fazem você voltar sempre.
Mudanças possíveis no dia a dia
Pequenos passos, grandes resultados
Você não precisa mudar tudo de uma vez. Comece comparando rótulos no mercado. Escolha produtos com menos ingredientes e nomes conhecidos. Prefira alimentos de um único ingrediente: arroz integral, feijão, frutas frescas, vegetais, ovos, carnes sem processamento. Um truque simples: faça suas compras no perímetro do supermercado, onde ficam os alimentos frescos. Os corredores centrais geralmente têm mais ultraprocessados.
Planeje suas refeições
Fazer três refeições e um ou dois lanches por dia evita fome excessiva, momento em que qualquer coisa pronta parece boa ideia. Tenha frutas da estação, castanhas, iogurte natural e vegetais cortados por perto. Simples, nutritivo e sem lista quilométrica de ingredientes.
O desafio da vida moderna
Entre 60% e 90% da dieta americana consiste em alimentos altamente processados. No Brasil, os pratos seguem tendência similar. Entre trabalho, família e cansaço diário, como encontrar tempo para cozinhar? A resposta pode estar em repensar prioridades. Preparar refeições simples não toma horas. Um ovo mexido com vegetais, sanduíche natural com ingredientes frescos ou salada completa levam minutos e oferecem mais nutrição que refeições congeladas.
O futuro está nas suas escolhas
A indústria alimentícia investe bilhões tornando esses produtos baratos e convenientes. Empresas direcionam publicidade para comunidades de baixa renda e crianças, usando personagens coloridos, promoções e posicionamento estratégico nas prateleiras.
Cindy Leung, professora de nutrição em Harvard, alerta: “As empresas multibilionárias criam esses alimentos para nos viciar, de modo que nosso controle sobre os alimentos é baixo. Vejo isso como uma questão de soberania alimentar”.
Conhecimento transforma escolhas. Agora você sabe como esses alimentos afetam corpo e mente, comprometendo capacidade cognitiva e bem-estar emocional. Vale trocar minutos de conveniência por anos de saúde? A resposta está em cada escolha sua, todos os dias, no supermercado e na cozinha.
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